Voltar
16/04/2019| Doentes de Parkinson chegam a esperar um ano por consulta de acompanhamento

 



 

O alerta é da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDPk), a propósito do Dia Mundial da Doença de Parkinson, assinalado hoje, dia 11 de abril. No âmbito das celebrações, surge também o lançamento de uma campanha de sensibilização, #UniteforParkinsons, cujo lema é “Aproveitar mais de cada dia”.
De acordo com a presidente da APDPk, Ana Botas, o tempo de espera não permite atender às necessidades dos doentes, visto que há casos em que a terapêutica tem de ser ajustada em períodos de tempo muito mais curtos, por vezes até mês a mês.
Por ser uma doença crónica, esta patologia implica acompanhamento e tratamento contínuos, o que passa também por uma resposta multidisciplinar, que permita ao doente beneficiar, sempre que é aplicável, de terapia da fala e fisioterapia.
“Em média, um doente de Parkinson é avaliado uma vez por ano. Mas casos há em que encontrar a medicação adequada é uma tarefa que implica vários ajustes. Para não existir uma descompensação dos doentes, provocada pela medicação, é preciso termos mais reposta disponível”, acrescenta a presidente da Associação.
“Existem atualmente consultas de doenças do movimento com excelentes profissionais com formação no tratamento e acompanhamento de doentes com doença de Parkinson. No entanto, os cuidados estão ainda muito centrados nos médicos e o acesso a outros profissionais de saúde com treino nesta doença é ainda limitado. O que é atualmente recomendado é que todos os doentes sejam acompanhados por equipas multidisciplinares incluindo neurologistas, fisioterapeutas, terapeutas da fala, e outros profissionais de saúde. Contudo, o acesso a estes cuidados multidisciplinares é ainda escasso e com grandes assimetrias no país”, afirma Joaquim Ferreira, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, diretor do CNS – Campus Neurológico e membro do conselho científico da APDPk.
“Em Portugal, já há cerca de 850 doentes tratados com um implante de estimulação cerebral profunda, uma opção de tratamento para muitos doentes em quem a medicação já não é eficaz. Felizmente, quase todos os medicamentos e mais recentes tecnologias para tratar a doença estão disponíveis no nosso país. Apenas temos de garantir que todos os doentes têm acesso, em tempo útil, a esses tratamentos”, acrescenta o neurologista.
A campanha é composta por testemunhos reais que mostram como se vive de forma positiva com a doença. No caso dos doentes que receberam um tratamento de estimulação cerebral profunda (deep brain stimulation), há relatos de quem não andava e ganhou uma nova vida graças ao neuroestimulador cerebral que implantou.
A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum a nível mundial (depois da doença de Alzheimer). Em Portugal, existem entre 18 a 20 mil doentes de Parkinson e são identificados todos os anos cerca de dois mil novos casos. Esta doença do movimento pode manifestar-se com vários sintomas, que são diferentes entre os doentes. Os sintomas motores mais comuns incluem lentidão dos movimentos, rigidez muscular, tremor e alterações da postura.
A campanha recebeu este ano o apoio da Delta Cafés, com perto de 5 milhões de saquetas de açúcar em circulação com os testemunhos dos doentes. Há ainda um vídeo nas redes sociais em que os doentes partilham a sua história positiva. A #UniteforParkinsons foi desenvolvida internacionalmente pela European Parkinson Disease Association (EPDA) com o apoio da Medtronic. Em Portugal, a campanha é adaptada e implementada pela APDPk.
Com o objetivo de levar informação aos doentes e seus familiares e amigos, a APDPk tem em funcionamento, em parceria com o CNS - Campus Neurológico, a Linha Informativa Parkinson, através do contacto telefónico 261 330 709. Nesta linha todos os doentes são atendidos por neurologistas que esclarecem dúvidas sobre a doença.
https://www.vitalhealth.pt/saude/7153-doentes-de-parkinson-chegam-a-esperar-um-ano-por-consulta-de-acompanhamento.html

 

Fonte texto e imagem: News Farma

Voltar