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22/11/2017| Tabaco e gravidez: “Muitas crianças são ainda fumadoras passivas”

Dados recentes mostram que, embora o consumo de tabaco esteja a diminuir em Portugal, a prevalência de mulher fumadoras tem vindo a aumentar nos últimos 10 anos. A propósito do Dia Mundial do Não Fumador, o My Pneumologia entrevistou a Dr.ª Luísa Guedes Vaz sobre as consequências que o tabaco pode trazer para a Saúde da Mulher e das crianças.
Segundo o Relatório Portugal - Prevenção e Controlo do Tabagismo em Números, em 2015 havia mais 74.000 mulheres fumadoras do que em 2005. No mesmo sentido, o IV Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, Portugal 2016/17, divulgado em setembro deste ano, revela que o consumo de tabaco apresenta uma ligeira subida da prevalência ao longo da vida, que se deve sobretudo ao aumento do consumo entre as mulheres, quer na população total, quer entre a população jovem adulta. “O aumento de mulheres fumadoras é preocupante, até porque se inicia muito cedo e, portanto, atinge a idade fértil”, começa por referir a pediatra. A fertilidade é precisamente um dos aspetos que o tabagismo pode influenciar: “Em alguns estudos, a correlação entre o consumo de tabaco e a infertilidade chega a atingir os 13%. Aumenta o tempo de espera da mulher para conseguir engravidar, interfere em vários aspetos do processo reprodutivo, nomeadamente na maturação do ovo, estando também associado ao aumento do número de gravidezes ectópicas”, revela a médica.
Dados de 2014, divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), mostram que 9,7% das mulheres disseram ter fumado durante a última gravidez. Lê-se, ainda, que cerca de 60% das mulheres que fumavam no início da gravidez manteve o consumo. Falamos de mulheres que acabam por fumar por dois e que somam aos riscos para a própria Saúde, consequências para a formação do bebé. “Os riscos mais conhecidos e estudados”, aponta a Dr.ª Luísa Guedes Vaz, “são o baixo peso ao nascer e o aumento da percentagem de prematuros, com todas as implicações associadas, assim como maior risco infeccioso e nutricional”.
“Segundo a American Lung Association há também um risco de morte fetal e neonatal precoce aumentado, estando ainda descritas malformações congénitas associadas, sendo as cardíacas as mais conhecidas”.
Os problemas não ficam por aqui: “As infeções respiratórias são mais frequentes e mais graves desde o nascimento e a longo prazo em crianças que foram expostas ao fumo durante a gravidez, estando o tabagismo também intimamente ligado ao aparecimento de asma e de outras doenças do aparelho respiratório”, até porque, nota a médica “o tabagismo passivo se mantém”. Para além disto, o consumo de tabaco durante a gravidez “parece interferir com o desenvolvimento renal, tendo a gravidade dessa alteração uma relação direta com o número de cigarros usados por dia”. “Este facto parece estar relacionado com o aparecimento posterior de hipertensão arterial”, conclui.
Quanto às justificações para números tão elevados no que ao consumo de tabaco durante a gravidez diz respeito, a especialista refere a desinformação como um fator a considerar: “Provavelmente as mães não estão completamente informadas sobre a influência que o tabagismo tem sobre a saúde dos seus filhos, e que essa influência se faz sentir logo desde o início da gravidez”.
Recorde-se que a partir do próximo ano será proibido fumar em locais públicos frequentados por menores, como os parques infantis ou campos de férias, uma alteração que decorre da nova Lei do Tabaco aprovada em Assembleia da República. Apesar de concordar que “as crianças, a nível de espaços públicos, estão hoje muito mais protegidas e que todas as medidas tomadas nesse sentido são corretas ”, a Dr.ª Luísa Guedes Vaz defende que, em Portugal, “muitas crianças são ainda fumadoras passivas”. “Até por que começam a sê-lo nas fases mais vulneráveis da sua vida: gestação, recém-nascidos e lactentes”.


Notícia original em http://www.mypneumologia.pt/entrevistas/613-tabaco-e-gravidez-%E2%80%9Cmuitas-crian%C3%A7as-s%C3%A3o-ainda-fumadoras-passivas%E2%80%9D.html

 

Fonte Texto e Imagem: News Farma

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