Gripes e constipações

As gripes e constipações estão entre as doenças mais recorrentes, sobretudo, entre crianças e idosos. Uma vez que cursam com sintomas semelhantes, é muito fácil confundi-las, mas, na verdade, são doenças distintas. A Dr.ª Ana Maria Pisco exerce Medicina Geral e Familiar na Unidade de Saúde Familiar da Tornada, nas Caldas da Rainha, e explica como as distinguir, prevenir e debelar.

Quais são as causas da gripe e da constipação e como se dá o contágio?

Para contrair gripe existe uma única causa: “a infeção pelo vírus Influenza. A constipação comum resulta também de infeção viral, mas pode cursar com diversos agentes – nomeadamente, rinovírus, adenovírus, coronavírus, entre outros – que podem coexistir ou agir isoladamente”, refere a Dr.ª Ana Maria Pisco. 

A transmissão dos vírus que provocam gripe e constipação “é sempre interpessoal, designadamente, através da tosse, dos espirros, das mãos ou do contacto direto com superfícies ou objetos partilhados com uma pessoa doente”, explica a médica, sublinhando: “O facto de as gripes e constipações serem mais frequentes nas épocas de outono/inverno está relacionado com a maior predisposição para ficarmos em ambientes fechados, pouco arejados e em maior proximidade uns com os outros, facilitando assim o contágio.”

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Sintomas: distinga a constipação e a gripe

Inicialmente, as gripes e constipações atingem sempre as vias aéreas superiores, ou seja, o nariz e a garganta. Só em complicações da gripe é que poderão ser atingidas também as vias aéreas inferiores, isto é, os brônquios e pulmões. 

A tabela abaixo poderá ajudar a determinar se está perante uma gripe ou uma constipação:

 

 

 

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Quem apresenta maior risco?

Se os adultos, por norma, já têm o sistema imunitário desenvolvido e com maior capacidade de resistência a infeções, “as crianças têm menos defesas, já que só as vão desenvolvendo à medida que têm contacto com os microrganismos e vão sendo infetadas pelos mesmos. 

É por isso que, regra geral, as crianças se constipam mais do que os adultos”, observa a médica de família. Em especial, acrescenta, “as crianças mais vulneráveis são as que estão nas idades em que começam a frequentar os infantários, porque começam a estar em comunidade e a ter maior exposição aos vários agentes infecciosos. Depois, ao longo da vida, o sistema imunitário vai aprendendo a combater esses agentes e as constipações vão sendo cada vez menos frequentes”. Segundo a Dr.ª Ana Maria Pisco, “os idosos são também uma população em maior risco, porque a partir dos 65/70 anos o sistema imunitário entra em declínio e também porque é mais frequente sofrerem de outras doenças que os tornam mais vulneráveis e sujeitos a sintomatologia mais grave – o que justifica um aconselhamento preventivo mais cuidado”.

 

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Tratamento e outras recomendações

Para aliviar a sintomatologia mais incomodativa das vias aéreas, como o congestionamento e o pingo nasal, a Dr.ª Ana Maria Pisco aconselha “o soro fisiológico, a água do mar, ou fazer inalação de vapores, para ajudar a fluidificar e libertar as mucosidades e secreções que se vão acumulando nas vias aéreas. A tosse e a expetoração poderão também ser aliviadas com xaropes antitússicos/mucolíticos”. No combate da febre e dos sintomas dolorosos (dores de garganta, de cabeça e no corpo), “podemos recorrer a duas substâncias farmacológicas: o paracetamol e o ibuprofeno. Havendo dores no corpo – sobretudo, em caso de gripe – o ibuprofeno é particularmente mais eficaz”, indica a médica de família. Adicionalmente, para o alívio das dores de garganta, lembra que, “podemos ainda recorrer a pastilhas, rebuçados e a também a elixires para gargarejar. Beber bastante água ou chá, a temperaturas tépidas, é outra medida útil para aliviar a dor de garganta e também a tosse, visto que fluidifica as secreções e ajuda à sua eliminação, evitando infeções bacterianas. Visto tratar-se de um erro muito comum, a Dr.ª Ana Maria Pisco faz questão de advertir que “não se deve dar aspirina a crianças com febre, mas sim paracetamol ou ibuprufeno”. Relativamente a pessoas com asma, refere que “a aspirina também está contraindicada e devem evitar pastilhas ou rebuçados que tenham eucalipto na sua composição, uma vez que poderão desencadear reação alérgica”.

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Quando consultar o médico?

De acordo com a Dr.ª Ana Maria Pisco, “perante uma gripe ou constipação comum nunca se deve recorrer aos serviços de urgência, nem vale a pena ir imediatamente ao médico de família”. A atitude mais acertada é “tentar contactar o médico de família pelo telefone, ou ligar para a linha Saúde 24. Para a esmagadora maioria dos casos, os cuidados aconselhados telefonicamente serão suficientes para debelar a doença em casa, sem necessidade de uma consulta médica presencial, tanto mais que os medicamentos para tratar as gripes e constipações, como o paracetamol e o ibuprufeno, entre outros, são de venda livre, ou seja, não requerem prescrição médica e estão ao alcance de todos em farmácias e parafarmácias”. Deste modo, “evita-se o contágio de outras pessoas que se encontrem nas salas de espera dos hospitais e centros de saúde”. A médica de família aconselha “deixar passar 24 a 48 horas após o início da manifestação dos sintomas, fazendo a medicação indicada e seguindo todos os conselhos. Verificando-se que os sintomas persistem por mais de 3 ou 4 dias, ou que agravam apesar da toma da medicação, nomeadamente, se a febre não baixar, então sim, valerá a pena consultar o médico”.

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