Piolhos: acabe de vez com a comichão!

O controlo dos piolhos exige tratamento específico

O que são os piolhos?

O piolho é um parasita que mede entre 0,5 e 0,8 mm de comprimento, é achatado e desprovido de asas. Nos cabelos escuros, os piolhos são difíceis de detetar porque adquirem uma gama de tonalidades de castanho e cinzento, ficando camuflados. Em cabelos louros, são mais fáceis de encontrar. Cada um dos milhares de subespécies destes insetos da ordem Phthiraptera infesta exclusivamente um só tipo de hospedeiro. Anoplura é a subordem de piolhos que inclui “os que parasitam em exclusivo os seres humanos e o seu couro cabeludo – ou seja, não infestam qualquer outro animal nem  em qualquer outra zona pilosa”, explica a Dr.ª Margarida Fortunato, pediatra no Hospital da Luz e consultora médica da Angelini Farmacêutica.

O ciclo reprodutivo dos piolhos é extremamente curto. «Os ovos dos quais nascem novos piolhos eclodem em somente 7 a 8 dias e, apenas 14 dias depois, estes parasitas já estão a produzir mais ovos que irão novamente eclodir ao fim de uma semana. Assim, em pouco tempo uma pequena população de piolhos transforma-se numa infestação cada vez mais difícil de controlar”, alerta a especialista.

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Como se transmitem os piolhos?

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, estes parasitas não saltam e a falta de higiene não está relacionada com a ocorrência da infestação. “Os piolhos são resistentes às habituais medidas de higiene diária, como a lavagem e a escovagem dos cabelos e, de facto, a transmissão ocorre sempre por contacto direto”, garante a Dr.ª Margarida Fortunato. E porque o contacto direto é muito frequente quando os mais pequenos brincam, “a infestação por piolhos tem maior incidência nas crianças em idade escolar e com o reinício do ano letivo é muito comum surgirem surtos de infestação nas escolas, colégios e infantários”.

A transmissão de piolhos é mais frequente entre as meninas, diz a pediatra, – “devido à maior proximidade física envolvida nas suas brincadeiras e quando estão a falar entre si. Além disso, têm cabelos mais compridos e utilizam e partilham mais acessórios para o cabelo – como chapéus, escovas, pentes, bandelettes, fitas e ganchos, além de outras peças de vestuário como cachecóis, casacos e camisolas. Já os rapazes, habitualmente, têm o cabelo curto e as suas brincadeiras estão mais ligadas aos desportos, pelo que andam mais dispersos, mas também há muito contacto direto e têm muito o hábito de emprestar o boné”.

Aos adultos, a maioria das vezes, os piolhos são transmitidos pelos filhos. “É muito fácil que um casal e todo o agregado familiar fique rapidamente infestado porque um dos filhos tem piolhos. Partilham a mesma casa, há contacto com objetos comuns a todos e nas brincadeiras e trocas de afetos há muito contacto direto entre cabeças, facilitando a transmissão”, observa a especialista, sublinhando

“Os piolhos podem sobreviver entre 48 a 52 horas fora do couro cabeludo do hospedeiro. Por isso, em casa são necessários cuidados especiais com objetos como os estofos dos sofás e dos cadeirões, mantas, almofadas, roupa de cama e banho, entre outros. Ocasionalmente, o piolho pode também passar para o animal doméstico, como o cão ou gato, mas visto que estes não lhe servem como hospedeiro, porque infesta em exclusivo os seres humanos, o parasita não permanece no animal. Assim, quando há infestação por piolhos não é necessário cortar o pelo ou fazer tratamento aos animais domésticos.”

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Por que provocam os piolhos tanta comichão?

A comichão intensa e muito incomodativa na cabeça é o principal sintoma da peduculose – o termo médico para a infestação por piolhos. De acordo com a Dr.ª Margarida Fortunato, “o prurido é provocado por uma substância que o piolho expele na sua saliva quando dá a picada para se alimentar do sangue que extrai através do couro cabeludo do hospedeiro. Quanto maior for a população de piolhos, mais frequentes serão as picadas e a comichão que provocam”. A especialista sublinha que “preferencialmente, os piolhos tendem a alojar-se nas zonas mais húmidas e quentes do couro cabeludo, nomeadamente, na nuca e atrás das orelhas”. Naturalmente, é nestas zonas que os piolhos mais picam e que a comichão mais se faz sentir.

Geralmente, as pessoas – e sobretudo as crianças – transportam nas mãos e unhas micorganismos, tais como bactérias, que habitualmente, não provocam doença. No entanto, indica a pediatra, “o constante coçar pode originar o aparecimento de uma pequena ferida no couro cabeludo, que poderá infetar pela ação destes microrganismos. Normalmente, esta situação não se reveste de gravidade, mas poderá implicar, em alguns casos, terapêutica antibiótica”.

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Elimine rapidamente os piolhos!

O controlo dos piolhos exige tratamento específico, cuidados com objetos onde os parasitas podem permanecer e ainda inspeção regular do couro cabeludo de todo o agregado familiar. De acordo com a Dr.ª Margarida Fortunato, “atualmente, a permetrina é única substância incluída no grupo dos medicamentos para o tratamento da infestação por piolhos, com aprovação pelo INFARMED. Deve ser aplicada por todo o couro cabeludo, de preferência seco – porque, em contacto com a água, o piolho tem a capacidade de deixar de respirar durante cerca de 30 minutos. Uma vez que a permetrina atua ao nível do sistema nervoso central do piolho, este deverá estar a respirar normalmente para que o produto atinja eficazmente o seu sistema nervoso central, pelo que é importante não molhar a cabeça nem diluir a espuma em água. O produto deverá atuar durante 10 minutos e só depois se enxagua, desaconselhando-se o uso posterior de condicionador, porque irá prejudicar o tratamento. Para garantir maior eficácia e prevenir a reinfestação, recomenda-se uma segunda aplicação da espuma, sete a oito dias depois da primeira, para eliminar os piolhos que entretanto terão eclodido das lêndeas. Após cada aplicação, é preciso fazer uma inspeção atenta ao couro cabeludo”.

A pediatra assegura que “a permetrina tem uma absorção muito reduzida, não é tóxica e não representa risco significativo para as crianças, podendo ser utilizada com toda a segurança a partir do primeiro ano de vida. Se houver infestação por piolhos antes do primeiro ano de vida, os pais deverão consultar o médico de família ou o pediatra”. E ressalva: “tal como acontece com muitos outros medicamentos, podem ocorrer casos de resistência do piolho à terapêutica com a permetrina.

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E as lêndeas, o que são?

As lêndeas são os pequenos ovos de tom esbranquiçado, visíveis a olho nu, que as fêmeas dos piolhos depositam nos cabelos e dos quais eclodem novos parasitas.
Devido à sua coloração clara, as lêndeas são fáceis de detetar nos cabelos escuros, mas são mais difíceis de identificar nos cabelos louros. Segundo a especialista, “a lêndea permanece aderente ao fio de cabelo graças a uma substância tipo cola,segregada pelo parasita
O piolho-fêmea põe os ovos na base do fio de cabelo, junto ao couro cabeludo, mas, à medida que o cabelo vai crescendo, a lêndea vai progressivamente afastando-se do couro cabeludo. Assim, as ‘casquinhas’ que se encontram presas aos cabelos, mas já mais afastadas do couro cabeludo, são lêndeas vazias, isto é, já não contêm ovos – o que significa que daquela lêndea já nasceram novos piolhos”.

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É fundamental informar a escola

A Dr.ª Margarida Fortunato constata que “é difícil para muitos pais e encarregados de educação informar o infantário ou a escola da criança que tem piolhos, porque têm vergonha. No entanto, esse passo é fundamental. Numa população escolar relativamente numerosa, se o tratamento for feito em 20 ou 30 casos, mas se 10 ou 15 não o fizerem, a infestação continuará a propagar-se. O encarregado de educação deve contactar a instituição e comunicar o problema apenas a uma pessoa responsável, pedindo discrição e sigilo, de modo a salvaguardar a criança da marginalização pelos seus pares”.

Se possível, observa a pediatra, “não se deve dizer à criança que está a fazer tratamento porque tem piolhos, pode-se dizer que está a fazê-lo para que não venha a ter piolhos – evitando que a criança, na sua inocência e espontaneidade, diga na escola que tem piolhos e se sujeite ela própria a ser marginalizada. Por fim, as crianças devem ser educadas a não partilhar nem pedir emprestados objetos pessoais como escovas, fitas, bonés e outros”.

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